Sobre o autor

Dr. Fábio Queiroga

Clínico médico. Preceptor. 20 anos decidindo — e ensinando outros a decidir.

Sou médico clínico com 20 anos de prática — a maior parte deles dentro de hospitais públicos, ao lado de residentes que estavam aprendendo, sob pressão, a fazer o que ninguém ensina direito na faculdade: decidir.

Fiz residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da UFPE. Depois, mestrado em Medicina Tropical, também pela UFPE — onde aprendi que a incerteza não é exceção na medicina. É a regra. Que os estudos têm limites. Que populações não são pacientes. E que a evidência, por melhor que seja, sempre chega incompleta à beira do leito.

Hoje sou preceptor de Clínica Médica no Hospital Agamenon Magalhães, em Pernambuco. Ao longo desses anos acompanhando residentes, percebi um padrão que me incomoda profundamente: formamos médicos que sabem muito sobre doenças, mas pouco sobre como pensar sob incerteza. Que decoram guidelines, mas travam quando o paciente não se encaixa em nenhum deles.

Foi dessa inquietação que nasceu o PRODECIDA — Programa de Tomada de Decisão do Médico —, projeto que cofundei com o objetivo de desenvolver sistematicamente as habilidades de raciocínio clínico e decisão médica em médicos em formação.

E foi dessa mesma inquietação que nasceu este blog.

"Vinte anos de prática clínica me ensinaram uma coisa acima de tudo: o problema raramente é falta de conhecimento. O problema é não saber o que fazer com o que você sabe — quando o tempo é curto, a informação é incompleta e o paciente está na sua frente."

Por que este projeto?

A medicina que ensinamos nos livros é muito mais organizada do que a medicina que vivemos no plantão. Nos livros, os diagnósticos são claros, os tratamentos têm evidências sólidas e as decisões parecem óbvias. Na prática, quase nada é assim.

A medicina baseada em evidências foi um avanço extraordinário. Mas foi sendo mal interpretada. Virou sinônimo de protocolo. De "o estudo diz isso, então faça assim". E isso é um problema — porque a evidência não decide por você. Ela informa sua decisão.

A decisão ainda é sua. E ela depende do paciente que está na sua frente, dos valores dele, do contexto em que você está e do seu julgamento clínico.

O Peso da Decisão existe para falar sobre isso. Não para dar respostas. Para provocar as perguntas certas.

Para quem é este projeto

Feito para quem precisa decidir.

Médicos residentes

Que estão aprendendo a decidir sob pressão, incerteza e cansaço — e precisam de mais do que protocolos.

Médicos recém-formados

Que perceberam que a faculdade ensinou muito sobre doenças, mas pouco sobre decisão.

Estudantes em fase clínica

Que já sentem o peso da responsabilidade e querem desenvolver um raciocínio mais sólido.

Médicos que valorizam evidência

Que sabem que evidência é ponto de partida, não ponto de chegada.

Comece pelos artigos

Explore as reflexões sobre decisão clínica, evidência e raciocínio médico.