Sou médico clínico com 20 anos de prática — a maior parte deles dentro de hospitais públicos, ao lado de residentes que estavam aprendendo, sob pressão, a fazer o que ninguém ensina direito na faculdade: decidir.
Fiz residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da UFPE. Depois, mestrado em Medicina Tropical, também pela UFPE — onde aprendi que a incerteza não é exceção na medicina. É a regra. Que os estudos têm limites. Que populações não são pacientes. E que a evidência, por melhor que seja, sempre chega incompleta à beira do leito.
Hoje sou preceptor de Clínica Médica no Hospital Agamenon Magalhães, em Pernambuco. Ao longo desses anos acompanhando residentes, percebi um padrão que me incomoda profundamente: formamos médicos que sabem muito sobre doenças, mas pouco sobre como pensar sob incerteza. Que decoram guidelines, mas travam quando o paciente não se encaixa em nenhum deles.
Foi dessa inquietação que nasceu o PRODECIDA — Programa de Tomada de Decisão do Médico —, projeto que cofundei com o objetivo de desenvolver sistematicamente as habilidades de raciocínio clínico e decisão médica em médicos em formação.
E foi dessa mesma inquietação que nasceu este blog.